LINHA DE PESQUISA: MICROPOLÍTICA DO TRABALHO E O CUIDADO EM SAÚDE

Coordenadores:
Professor Livre-docente Emerson Elias Merhy e Prof.  Dr. Marcelo Poirot Land

Professores Colaboradores Doutores:
Laura Macruz Feuerwerker, Túlio Batista Franco, Ana Abrahão e Paula Cerqueira.

Apresentação e Descrição da Linha de Pesquisa

A construção do trabalho em saúde como objeto de estudo é produto de um esforço teórico e prático do campo da saúde coletiva brasileira, que tem como um dos seus marcos mais significativos os estudos de Ricardo Bruno Mendes Gonçalves, a partir das investigações produzidas sob a orientação de Cecilia Ferro Donnangelo, nos anos 1970. Um dos desdobramentos gerados, em termos da produção de conhecimento, a partir dessa produção, foi o entendimento do campo do trabalho em saúde como um território de práticas e saberes que se constitui na articulação entre um agir produtivo tecnológico, material e não material, e o mundo das necessidades de saúde, objeto da sua prática. Estes universos implicam no entendimento de que a conformação das tecnologias se dá no terreno de construção dos saberes e fazeres em saúde, expressos pelos: equipamentos/máquinas; conhecimentos implicados com a ação produtiva e os processos relacionais em ato; produtores do cuidado.

Estudos dos anos 1990, realizados por pesquisadores como Emerson Elias Merhy, Ricardo Cordeiro e José Ricardo Ayres, vêm destacando a dimensão micropolítica do trabalho em saúde na construção do cuidado, abrindo o campo de investigação para novos territórios, dentro dos quais destacamos os estudos sobre a micropolítica do trabalho vivo em ato na saúde e a transição tecnológica do campo, e os que visam a importância da construção dos processos relacionais entre mundo tecnológico e o das necessidades dos usuários, tendo como foco o olhar sobre as razões instrumentais e comunicativas, que as presidem. Além disso, as investigações de Gastão Wagner de Sousa Campos, Luiz Carlos de Oliveira Cecilio, Francisco Javier Uribe e Emerson Elias Merhy, vêm explorando a micropolítica do campo da saúde, em geral, e do trabalho, em particular, como base para estudar e compreender as relações entre gestão organizacional na saúde e o campo da subjetividade.

Essas elaborações vêm encontrando eco em estudiosos latino-americanos que marcam a construção do campo de estudo da saúde no continente; dentre os quais citamos os argentinos Mario Testa e Celia Beatriz Iriart, e o professor americano Howard Waitzkin, que têm permitido o desenvolvimento de investigações sobre: o trabalho em saúde e a constituição do poder nas organizações de saúde, o managed care e o capital financeiro na saúde, a “financeirização” na saúde, entre outros.

Nos anos 2000 há o instigamento, no fluxo do debate sobre a formação profissional na saúde (sempre presente em todos os cenários de discussão sobre o campo da saúde), de considerar a articulação entre as investigações da micropolítica do trabalho vivo na produção do cuidado e o campo da educação, expressa nas imagens da educação permanente em saúde e no reconhecimento do mundo do trabalho como uma escola. E o mundo do trabalho reconhecido como escola não somente para os trabalhadores da saúde, mas como a melhor escola também para os futuros trabalhadores – porque a compreensão sobre a natureza do trabalho em saúde e as tecnologias envolvidas em sua produção desafia a maneira de pensar a aprendizagem e a produção de conhecimento na área da saúde. Por outro lado, a micropolítica oferece novas possibilidades de compreensão sobre o complexo processo de transversalidades e atravessamentos no interior das instituições de ensino e dos serviços de saúde na conformação dos modos de educar/formar e trabalhar/cuidar em saúde. Assim, fazem-se necessárias novas maneiras produzir conhecimento e pensar sobre a educação e o trabalho em saúde, reconhecendo novos atores, novos papéis, novas referências. Isso abre e amplia a agenda de busca de conhecimento para esse lugar que vimos adentrando.

Na busca de construir os referenciais necessários para os desafios dessa produção de conhecimento, gerados no front dessa linha de pesquisa, temos procurado agregar contribuições teórico-metodológicas de distintos campos, em particular: saúde coletiva brasileira no que vem avolumando nas pesquisas em torno dos objetos histórico e sociais e das investidas nas investigações qualitativas; na análise institucional e sua vertente esquizoanalítica; na história social da cultura e o seu eixo de estudo sobre a produção da memória e no campo da micropolítica do trabalho.

Com isso, procuramos construir as bases para trabalhar o eixo central da linha que está baseado na cartografia do trabalho vivo em ato na saúde e seus desdobramentos, nos seguintes núcleos temáticos:

Dentro disso, trabalhamos nos nossos estudos, como elementos transversais aos núcleos temáticos / objetos de estudo, os:

  1. os atores sociais e a produção de sujeitos
  2. gestão e subjetividade na produção da saúde
  3. a micropolítica do trabalho vivo em ato
  4. trabalho em saúde como ato pedagógico
  5. a produção do cuidado e as organizações de saúde

Atividades Realizadas

Reuniões da linha para discussão da obra de pensadores fundamentais para a construção do nosso campo de estudo, em particular, Deleuze e Guattari e suas fontes teóricas.

Reuniões sobre projetos em andamento que visam uma discussão coletiva com todos que freqüentam as reuniões da linha de pesquisa com a finalidade de colocar em pauta as Teses em andamento e a construção de novas propostas de investigação ainda não existentes, que podem abrir novos fronts de trabalho ou novas incorporações de alunos na pós-graduação.

Desenvolvimento dos projetos de pesquisa que estamos realizando:

Temos pesquisas realizadas por coletivos de pesquisadores formados no âmbito dos freqüentadores das reuniões da linha, como: Estudo das modalidades de atenção domiciliar no Brasil no público e no privado; Estudo sobre os desdobramentos da Educação Permanente em saúde a partir da formação de tutores e facilitadores ; Estudo comparativo sobre o processo de trabalho em saúde na atenção básica nos cenários da Bahia e do Rio de Janeiro; Estudo das modalidades de cuidado dos pacientes terminais na saúde suplementar etc.

Além dessas, temos as várias pesquisas realizadas pelos nossos alunos formalizados no Curso de Pós-graduação da Clínica Médica da UFRJ. Ver Pesquisas

Realização de duas disciplinas opcionais na pós de Clínica Médica da UFRJ:

As disciplinas são semestrais, desenvolvidas em aulas e seminários, junto às reuniões da linha de pesquisa, visando a formação teórica dos alunos e discutindo a construção de projetos de investigação, considerando o aluno como sujeito da prática e do saber que se expõe a estes campos que as disciplinas pretendem abarcar, como lugar do conhecimento no fazer.

As aulas são organizadas em função de categorias analíticas, que expressam os núcleos temáticos, que compõem os principais elementos de significação do campo em estudo. Para cada aula existirá um conjunto de textos de referências como bibliografia de base.

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